Ocupe outras mídias

Por Leandro Lopes

O consumo da mídia te consome? Repensar é preciso? De fato, talvez, o lugar da experimentação, da inovação nas formas de se comunicar, não seja os grandes conglomerados midiáticos. Para Luciana de Oliveira, professora de Comunicação Social da UFMG e curadora do eixo temático “Ocupa Mídias”, do 46° Festival de Inverno, é o contrário disso. “Vemos as empresas de mídia muitas vezes terem que correr atrás de modelos de produção de informação que não foram pensados por elas, mas por um adolescente que vive numa favela e usa o twitter, por exemplo, como aconteceu na cobertura da invasão do Morro do Alemão pela polícia em 2010 (chamada de “pacificação” pelos veículos oficiais e oficialescos)”, lembra.

Sim: repensar é preciso. Por isso que os seis grupos de trabalho aglutinados no “Ocupa Mídias” (Ocupa Boletim, Ocupa TV, Ocupa Gráfica, Ocupa Rádio e Ocupa Web: Brutos e Transmidiativismo), discutirão novas possibilidades de se comunicar, construirão outras maneiras de criar mensagens. “Aí podem estar os jornalistas, publicitários, relações públicas, pessoal de rádio, TV, os designeres gráficos, de moda, da indústria, os arquitetos, as pessoas de cinema, os ativistas – formados ou em formação – mas também os fofoqueiros, os mobilizadores, os amadores de tudo o que acontece”, detalha Luciana.

A proposta, de um modo geral, é que os GTs ocupem os equipamentos institucionais da universidade, como o Boletim, que durante o Festival de Inverno será produzido sob a coordenação de Maria Rita Casagrade, do Blogueiras Negras. Ou a Rádio UFMG Educativa que terá, todos os dias durante o evento, um programete de 15 minutos com locução de Valmir Cabreira e Lindomar do Matição, jovens líderes indígenas.

Para Luciana, o “Ocupa Mídias” se propõe a buscar se colocar num lugar de fronteira, entre o experimental e o institucional, o midialivrismo e os formatos convencionais e populares de mídia. Os GTs estarão sempre “entre a luta política que se dá nas aspirações e inquietações dos movimentos sociais e o papel político que uma universidade tem nos cenários em que atua”, diz.

Quando perguntada sobre as razões de participar de alguns desses grupos de trabalho, Luciana responde: “Porque fazer a informação, distribui-la, comunicar é a ação política mais potente no cenário contemporâneo. As lutas por recursos visuais, por existir, ser visível, pelo entendimento sobre os mecanismos da produção da informação, pelo modo de dizer alguma coisa – a batalha dos significantes como diz o nosso coordenador geral do Festival César Guimarães – são as que movem atitudes fortes contra o capitalismo neoliberal e o terror de Estado, ambos entricheirados e amalgamados nessa fronteira conservadora racista, homofóbica, sexista, classista e porque não dizer genocida que recorta invisivelmente nossas existências”, afirma.

Os GTs, portanto, são formas possíveis de promover relações e experiências sensíveis em que o estético e o político não se separam. E, se você ainda não se inscreveu, ainda dá tempo. As inscrições se encerram hoje. Conheça os grupos aqui: https://46festivalufmg.wordpress.com/grupos-de-trabalho/ocupa-midias/

Para se inscrever, acesse: 
https://46festivalufmg.wordpress.com/inscricoes.

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