Parque das Imagens: um espaço de formação e de experiência compartilhada

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Por Leandro Lopes

O Parque das Imagens é o eixo temático do Festival de Inverno da UFMG que abrigará a projeção de filmes em diferentes espaços do campus e oferecerá quatro grupos de trabalho dedicados à produção audiovisual. É um dos lugares de estreita relação com a temática das ocupações urbanas e com a discussão a respeito da apropriação da universidade pela sociedade. Um dos GTs, por exemplo, o Margens e Fronteiras do Campus, reservou 10 vagas para funcionários da UFMG que terá que desenvolver um projeto fotográfico explorando o território do campus Pampulha. Será possível, com isso, que estes funcionários percebam outro campus, diferente daquele que ele frequenta cotidianamente. Dois outros grupos de trabalho, Cine Ocupação e Retratos das Ocupações, convidaram moradores de ocupações urbanas a participar.

Com curadoria da professora Anna Karina Bartolomeu, o Parque das Imagens poderá discutir algo de uma relação histórica que é a divisão de interesses entre os agentes sociais dominadores (que lutam pela manutenção da dominação) e dos oprimidos (que lutam pela desestabilização da situação vigente). “Esse convite para a participação de moradores das ocupações certamente evoca as questões referentes às relações de poder, pois são comunidades que estão em plena luta por seus direitos básicos de moradia”, afirma. Ela lembra que os GTs também pretendem acolher na universidade esse público que normalmente não a frequenta.

Segundo Anna, também existe o objetivo de oferecer um espaço de formação e de experiência compartilhada, “tendo como vetor de interação os dispositivos de produção de imagens, afastando-se assim, de modos de produção que, historicamente, destinaram a esses sujeitos um certo lugar – o daqueles a serem observados. Alterar a partilha desses lugares, bem como dos espaços e das superfícies e telas tomadas pelas imagens, pode contribuir para promover deslocamentos, ainda que sutis, na forma de perceber e compreender nossa própria experiência e a do outro, e avançarmos no desafio do viver juntos”, afirma Anna.

Além dos GTs que já estão com inscrições encerradas e se iniciam na próxima segunda-feira, dia 21, o Parque das Imagens também terá o Cine Maloca, mostra de filmes do Festival, cujas sessões serão realizadas em espaços abertos do campus, onde serão projetadas as experiências relacionadas às ocupações urbanas, à retomada das terras indígenas e às memórias da luta pela terra, recriadas pelo cinema. De Eduardo Coutinho, com o clássico documentário brasileiro, Cabra Marcado para Morrer, de 1984, até curtas-metragens contemporâneos, o Cine Maloca tem curadoria da professora Cláudia Mesquita. As exibições são gratuitas e não é preciso fazer inscrição para participar. Para saber da programação completa, fique de olho no blog: https://46festivalufmg.wordpress.com/blog/.

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