A força das mulheres na luta pela moradia

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Por Juliana Afonso;
Foto: Leandro Lopes.

Orgulho de ter nascido mulher. Essa foi a frase que marcou o encontro das ocupações urbanas de Belo Horizonte, que aconteceu ontem, no auditório da Reitoria da UFMG. A mesa foi composta por mulheres de seis ocupações urbanas da cidade: Poliana Souza, da Eliana Silva (Barreiro), Luciana da Cruz, da Dandara (Céu Azul), Naiara Rocha, da Guarani Kaiowá (Contagem), Elielma Carvalho, da Vitória (Isidoro), Rose de Freitas, da Esperança (Isidoro), e Charlene Cristiane, da Rosa Leaõ (Isidoro). Juntas, elas mostraram a força e a importância da liderança feminina nesses espaços.

Essas mulheres e tantos outros adultos, idosos, jovens e crianças vivem em terrenos que foram ocupados não por vontade, mas por necessidade. A falta de moradia própria é um problema que atinge mais de 150 mil famílias em Belo Horizonte. Um problemas, porém, paradoxal. “Os imóveis vazios na capital atenderiam a 350 mil famílias”, explicou Poliana.

Cada uma falou um pouco sobre a ocupação em que vive e a maneira como a comunidade se organiza. Além das casas que vem sendo construídas, os moradores começam também a propor soluções para demandas coletivas. A ocupação Dandara fez um Centro Cultural. As ocupações Guarani Kaiowá e Eliana Silva estão construindo creche.

O maior problema enfrentado, todos os dias, a todo minuto, é o medo do despejo. “Ninguém avisa quando vai acontecer. Você está dormindo e, de repente, a polícia entra na comunidade destruindo tudo”, afirmou Charlene, sobre a situação da ocupação Rosa Leão, que pode ser despejada a qualquer momento.

O despreparo policial para lidar com os moradores desses terrenos é visível. Durante a sua fala, Elielma relatou que no dia anterior, três crianças da ocupação foram abordados por policiais que os ameaçaram. “Um deles empurrou um dos meninos até o muro e deu um soco na barriga dele com toda a força”, disse, indignada. No momento em que o microfone estava aberto para que os participantes do evento também pudessem dar os seus depoimentos, um dos meninos agredidos falou à plateia: “Ele falou que a polícia ia voltar e pegar a gente, mas a gente não pode ter medo. A gente vai resistir porque estar ali é um direito nosso”.

O grito “com luta, com garra, a casa sai na marra”, sempre usado em manifestações pelo direito à moradia, foi repetido algumas vezes pelos participantes da mesa e pela plateia. Às mulheres das ocupações, admiração: é com força e muita coragem que elas lutam diariamente para trabalhar, cuidar de suas casas e edificar a comunidade.

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