Ocupa Cine Olaria: Filmes de A a Z

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Por Juliana Afonso
Imagem: Filme “A Cidade é uma só”

Dentro da Estação Ecológica, em uma antiga oficina de produção de tijolos e telhas, vai funcionar o Ocupa Cine Olaria. Assim como o Cine Maloca, a temática dos filmes está relacionada aos atos de resistência à partilha desigual e aos projetos excludentes das cidades; memórias das lutas pela terra; retomada de territórios indígenas; espaços reinventados, bricolagens, formas variadas de ocupar.

A proposta é que os interessados cheguem e selecionem o filme que desejam ver. Serão sessões para pequenos públicos, com limite de seis pessoas por filme.

O Ocupa Cine Olaria vai funciona entre os dias 21 e 25 de julho, das 13h às 17h. O local traz uma lista de filmes que vai de A a Z, que você confere abaixo:

A

A cidade é uma só?
(Adirley Queirós – 73 min)

Além da cidade de Brasília, são cinco os personagens principais deste filme. Nancy narra um passado que se repete desde a origem da capital: a especulação territorial/imobiliária. Dandara mora em Águas Lindas de Goiás e tem o sonho de se mudar para o Plano Piloto. Candidato a deputado distrital, Dildu mora em Ceilândia e vive a expectativa do resultado das eleições, contando com o apoio de Marquim, um ex-rapper que agora é marqueteiro político. Já Zé Antônio vende lotes irregulares no entorno do Distrito Federal.

A Ditadura da Especulação
(Zé de Abreu – 10 min)

No Distrito Federal, grandes empreendimentos passam o trator em culturas, vidas e saberes locais. Filme engajado na resistência indígena contra a destruição do Santuário dos Pajés, ameaçado pela construção do bairro Noroeste, empreendimento imobiliário de luxo.

À Margem do Concreto
(Evaldo Mocarzel – 85 min)

Análise sobre os sem-teto e os movimentos de moradia na cidade de São Paulo, através da atuação de várias lideranças que promovem atos de ocupação, fazendo justiça com as próprias mãos.

À Margem dos Trilhos
(Marcelo Pedroso, Pedro Severien – 5 min)

Uma reflexão sobre o tema da habitação social, a partir do trajeto feito pelo trem do forró que sai das proximidades das torres gêmeas, passa pelo cais José Estelita e cruza a ocupação da Vila Sul, em Recife (PE).

A Rua é Pública
(Anderson Lima – 10 min)

Um grupo de amigos acorda com vontade de jogar uma pelada na rua. A busca por um espaço acaba percorrendo outro caminho: o da luta pelo território livre do brincar. Realizado na ocupação Eiana Silva, em Belo Horizonte.

Ação e Reação
(Marcelo Pedroso, Pedro Severien – 3 min)

Ação: Ocupe Estelita apresenta… Reação: Governo do Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife, Consórcio Novo Recife apresentam…

Aqui favela, o rap representa
(Junia Torres e Rodrigo Siqueira – 80 min)

Uma viagem pelos caminhos por onde se constrói o movimento hip hop em São Paulo e Belo Horizonte. O documentário apresenta jovens desconhecidos que integram o movimento e algumas de suas principais expressões como Thaíde e Mano Brown, além de África Bannbaataa, Nelson Triunfo, Lady Rap, Shyrlane e outros. Eles têm em comum o esforço para fortalecer suas identidades, a revalorização de aspectos culturais africanos, a recuperação da autoestima por meio das manifestações culturais criadas nas favelas e periferias. A indústria cultural também é questionada, pois os hip hoppers driblam o sistema de produção hegemônico para formar uma nova esfera de ação ética, estética e política.

Atrás da Porta
(Vladimir Seixas e Chapolim – 92 min)

O documentário apresenta a experiência de arrombar prédios e criar novos espaços de moradia por famílias sem-teto do Rio de Janeiro. O filme expõe também uma série de despejos forçados pelo Estado e como eles são o início de uma das maiores intervenções políticas na cidade. No documentário, o projeto chamado de “revitalização” é questionado pelos moradores de várias ocupações.

Av. Brasília Formosa
(Gabriel Mascaro – 85 min)

Fábio é garçom e cinegrafista. Registra importantes eventos no bairro de Brasília Teimosa (Recife). No seu acervo, raras imagens da visita do presidente Lula às palafitas. Fábio é contratado pela manicure Débora para fazer um vídeobook e tentar uma vaga no Big Brother. O filme constrói um rico painel sensorial sobre a arquitetura e faz da Avenida uma via de encontros e desejos.

B

Brasília, contradições de uma cidade nova
(Joaquim Pedro de Andrade – 23 min)

Imagens de Brasília em seu sexto ano e entrevistas com diferentes habitantes da capital. Uma pergunta move o documentário: uma cidade inteiramente planejada, criada em nome do desenvolvimento nacional e da democratização da sociedade, poderia reproduzir as desigualdades e a opressão existentes em outras regiões do país?

Branco Sai, Preto Fica
(Adirley Queirós – 95 min)

Um Baile Black. Tiros e repressão. Uma geração amputada.

C

Cabra Marcado Para Morrer
(Eduardo Coutinho – 120 min)

Em 1962, o líder da liga camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem de latifundiários. Um filme sobre sua vida, reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato, começa a ser rodado em 1964, com direção de Eduardo Coutinho. As filmagens, com participação de camponeses do Engenho Galiléia (PE) e da víúva de João Pedro, Elizabeth Teixeira, são interrompidas pelo golpe militar de 31 de março de 1964. Dezessete anos depois, em 1981, Eduardo Coutinho retoma o projeto e procura os participantes do filme interrompido.

Caçando Capivara
(Derli Maxakali, Marilton Maxakali, Juninha Maxakali, Janaina Maxakali, Fernando Maxakali, Joanina Maxakali, Zé Carlos Maxakali, Bernardo Maxakali, João Duro Maxakali – 57 min)

Caçadores Tikmu’un saem com seus cães e espíritos aliados em busca da capivara. Cantos, olhares e eventos. Intensidades que se agitam sob um plano de aparente silêncio.

Cine Camelô
(Clarissa Knoll – 15 min)

A história de um cineasta-ambulante que vende filmes de curta-metragem na Rua 25 de Março, maior centro de comércio popular de São Paulo, de acordo com a demanda dos clientes.

D

Dandara
(Carlos Pronzato – 65 min)

Localizada no bairro Céu Azul, a comunidade Dandara abriga atualmente mais de 1200 famílias, que até então moravam de favor ou pagavam aluguéis que comprometiam grande parte de suas respectivas rendas. Nessas 4 anos, os moradores da comunidade, devido a sua organização e pré-disposição para luta, demonstraram aos cidadãos de Belo Horizonte a importância do combate cotidiano contra o capital especulativo e contra uma cidade segregadora.

Desterro Guarani
(Ariel Ortega, Patrícia Ferreira, Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho – 40 min)

Ariel Ortega faz uma reflexão sobre o processo histórico do contato dos Mbya-Guarani com os colonizadores, e tenta entender como seu povo foi destituído de suas terras.

Dia de festa
(Toni Venturi e Pablo Georgieff – 77 min)

Neti, Silmara, Janaína e Ednalva são quatro mulheres que integram o movimento dos sem-teto na cidade de São Paulo. Elas acompanham os preparativos para a realização de 7 ocupações simultâneas na cidade, ocorridas em outubro de 2004.

E

Em trânsito
(Marcelo Pedroso – 18 min)

Elias, em trânsito.

Entre
(Vladimir Seixas – 10 min)

Os momentos da ocupação de um prédio no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Esse amor que nos consome
(Allan Ribeiro – 80 min)

Gatto Larsen e Rubens Barbot são companheiros há mais de 40 anos. Eles acabam de se mudar para um casarão abandonado no centro da cidade, onde ensaiam com sua companhia de dança. O dia-a-dia da dupla envolve a criação artística e a crença nos orixás. Através da dança, eles marcam os territórios do Rio de Janeiro.

F

Favela Fabril
(Thais Blank – 50 min)

O documentário constrói a trajetória do espaço da antiga fábrica de laticínios da CCPL, na zona norte do Rio de Janeiro. A fábrica foi construída nos anos 1940, desativada no final da década de 1990 e ocupada por centenas de famílias nos anos 2000. Em 2009, a comunidade CCPL foi contemplada com um projeto de construção de um condomínio popular que previa a demolição da antiga fábrica. A equipe acompanhou os últimos meses da ocupação e conta a história daquele espaço por meio das memórias de seus antigos moradores e trabalhadores.

H

Hiato
(Vladimir Seixas – 19 min 30s)

Em agosto de 2000, um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. O episódio obteve grande repercussão na imprensa nacional. O filme recupera imagens de arquivo e apresenta entrevistas com manifestantes e pensadores, sete anos após o acontecimento.

L

Leva
(Juliana Vicente e Luiza Marques, 55 min)

No coração de São Paulo pulsa o maior movimento de luta por moradia da América Latina. Famílias desabrigadas ocupam o edifício Mauá, um dentre muitos ocupados no centro da cidade. O documentário LEVA acompanha a vida de moradores da ocupação e apreende a revitalização dos espaços ociosos e a construção do coletivo como agente de transformação do indivíduo.

M

Mauá: Luz ao Redor
(Juliana Vicente – 5 min)

No centro de São Paulo, a comunidade Mauá vive há mais de 5 anos, hoje sob ameaça de despejo. No entorno da Rua Mauá encontra-se a vida das 230 famílias que habitam a ocupação: escolas, locais de trabalho, hospitais. Seu deslocamento pode causar graves danos a uma população para a qual não é oferecido outro destino.

O

O caso da aldeia Jaguapiré
(Vídeo nas Aldeias – 5 min)

Fragmento de Martírio, produção do Vídeo nas Aldeias. Em processo de realização, o longa irá contrapor o discurso dos ruralistas – “vítimas da invasão de suas propriedades pelos índios” – a registros de despejos de aldeias inteiras, em imagens históricas das décadas de 1980 e 90. Os relatos do processo de deportação e confinamento ao qual foram submetidos os Kaiowá elucidam a origem do problema presente, os equívocos dos primeiros anos da política indigenista do governo brasileiro, e a relação de pertencimento e responsabilidade que os Guarani mantêm com seus territórios sagrados.

Ocupar, Resistir, Avançar
(Ernesto de Carvalho, Luiís Henrique Leal, Marcelo Pedroso, Pedro Severien – 6 min)

Ocupação da Prefeitura do Recife. 30 de Junho e 01 de Julho de 2014.

P

Praça Walt Disney
(Renata Pinheiro, Sérgio Oliveira – 20 min)

Abordagem singular da vida urbana contemporânea, o documentário descreve a um só tempo um bairro, uma cidade e um país. O lugar real: Boa Viagem, Recife, Pernambuco, Brasil.

Proibido Parar
(Christian Caselli – 6 min 30s)

Estranho fato ocorrido em julho de 2010 no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, informa sobre o clima de “choque” que paira sobre a cidade.

S

Sagrada Terra Especulada
(Zé de Abreu – 70 min)

O documentário narra um período de lutas contra o Setor Noroeste, bairro de alto luxo que a especulação imobiliária do Distrito Federal tenta construir a qualquer custo. Tendo como foco a resistência da comunidade Fulni-ô na Reserva Indígena Santuário dos Pajés, o documentário expõe a ação de mídia, políticos, empresários, especuladores e burocratas, serviço do lucro, da segregação e da farsa da sustentabilidade promovida pelo falso bairro ecológico. Do outro lado, apresenta a ação de movimentos populares em uma luta incansável.

Silêncio, viaduto em obras
(Gabriel Zaidan, Maria Teresa Moreira – 18 min)

O movimento Viaduto Ocupado resiste ao projeto da Prefeitura de Belo Horizonte para o Viaduto Santa Tereza.

R

Rap, O Canto da Ceilândia
(Adirley Queirós – 15 min)

Diálogo com quatro consagrados artistas do Rap nacional (X, Jamaika, Marquim e Japão), todos moradores da Ceilândia, Distrito Federal. O filme relaciona suas trajetórias com a ocupação e construção da cidade onde moram. São artistas que vêem no Rap a única forma de expressar suas vivências e sentimentos, afirmando-se como moradores da periferia de Brasília.

Retrato de uma paisagem
(Pedro Diógenes – 34 min)

Um filme sobre a cidade. Um filme sobre pessoas. Estamos vivendo o começo da era da sociedade urbana. Um novo campo ainda ignorado e desconhecido. E o cenário do futuro ainda não se encontra estabelecido.

T

Tava, a casa de pedra
(Ariel Ortega – 78 min)

Interpretação mítico-religiosa dos Mbya-Guarani sobre as reduções jesuíticas do século XVII no Brasil, Paraguai e Argentina.

Teto
(João Brito Jr. – 16 min)

Teto é um ensaio realizado nos dois meses em que convivi com 400 famílias de moradores sem teto, que ocuparam um antigo edifício no centro de São Paulo. O espaço foi durante mais de 40 anos um luxuoso hotel e cassino. Além da mobilização social e do simbolismo militante que estas imagens expressam, tentei guardar nestes registros a relação que estas pessoas mantiveram com o lugar ocupado. O documentário trata ainda da origem dessas famílias, mostrando algo da realidade das favelas brasileiras.

Torre de Babel
(Dirceu Neto e Felipe Seffrin – 70 min)

A história do edifício Prestes Maia, de 22 andares e localizado na cidade de São Paulo, que por cinco anos ficou conhecido como a maior ocupação vertical da América Latina.

Torres gêmeas
(coletivo [projetotorresgemeas] – 20 min)

FILME RECOMENDADO PARA MAIORES DE 16 ANOS.

O [projetotorresgemeas] nasce da vontade de algumas pessoas ligadas ao meio audiovisual pernambucano de falar do Recife e de suas relações de poder a partir do projeto urbano que vem sendo desenvolvido na cidade. A ideia consistiu da realização de um filme coletivo, a partir de vários olhares sobre a cidade, aberto a qualquer pessoa que desejasse participar, independentemente de experiências prévias com o audiovisual ou outros meios artísticos.

V

Vida Estelita
(Edinéa Alcântara, Ernesto de Carvalho, Marcelo Pedroso, Pedro Severien – 10 min)

Integrantes do Movimento Ocupe Estelita fazem uma reflexão política e pessoal sobre o processo de discussão da cidade. “Vida Estelita” constrói os principais eixos da transformação social que está em curso a partir do olhar desse grupo de ocupantes. O filme nasceu numa roda de conversa, e os relatos articulados nesta narrativa revelam um pedaço do imaginário coletivo. Os testemunhos contidos aqui se somam às inúmeras ações e reflexões de um grupo de pessoas que juntos fazem o Ocupe Estelita.

Vista Mar
(Claugeane Costa, Henrique Leão, Pedro Diógenes, Rodrigo Capistrano, Rubia Mercia, Victor Furtado – 12 min)

Se uma imagem vale mais que mil palavras…essa vista custaria a biblioteca inteira.

Z

Zaga de bonecas

(Anderson Lima – 8 min)

Meninas e bonecas? É assim que um grupo de garotas se apresenta pra pelada. Depois de serem expulsas da rua, elas retornam pro campinho improvisado e ocupam a pequena área.

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