Cine Maloca: Ocupações em cena

As exibições são gratuitas e alguns sessões comentadas. Sempre às 18h e a céu aberto.

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Por Leandro Lopes
Imagem: Filme “Cabra Marcado para morrer”

Filmes que mostram as plurais formas de ocupar, de terras e prédios até um shopping center. “Um pequeno inventário de formas pelas quais o cinema se engaja nas ocupações de espaços reais e simbólicos no Brasil”. Assim é o Cine Maloca na definição da professora Cláudia Mesquita, curadora da mostra.

De Eduardo Coutinho, com o clássico documentário brasileiro Cabra Marcado para Morrer, de 1984, que será exibido hoje, no Bosque da Música, até curtas-metragens contemporâneos, o Cine Maloca está armando suas telas em cinco espaços abertos do campus Pampulha e durante cinco dias, de 21 a 25 de julho, vem ocupando o horário das 18h na programação do Festival de Inverno da UFMG.

Filmes que põem em cena conflitos entre o status quo (com os setores que buscam a sua perpetuação) e aqueles que lutam pela desestabilização da situação vigente. “Em alguns filmes, trata-se também de “filmar o inimigo”, para lembrar Jean-Louis Comolli. Colocando-se ao lado dos ocupantes, não raramente os filmes têm alvos precisos: a especulação imobiliária, as grandes construtoras e seus negócios, políticas públicas que favorecem o mercado e as elites, projetos de cidade excludentes, latifundiários que invadem terras indígenas”, explica Mesquita.

As exibições são gratuitas e alguns sessões são comentadas. É o caso da quarta-feira, dia 23, com a temática “Ocupações Urbanas”, a tenda será montada atrás da Reitoria e terá a presença do arquiteto Tiago Castelo Branco Lourenço e da ativista Érica Coelho. Na quinta-feira, a sessão “Branco sai preto fica”, terá os comentários da antropóloga Junia Torres, de Misael Avelino, da Rádio Favela e Luis Carlos Candido de Oliveira, do Baile Black. Não é preciso fazer inscrição para participar. Conheça os dias e horários e um pouco de cada filme:

22.07, Bosque da Escola de Música

SESSÃO 2 – CABRA MARCADO PARA MORRER
Homenagem a Eduardo Coutinho e à luta pela terra no Brasil. “Divisor de águas” no cinema brasileiro (J.C.Bernardet), Cabra opõe as memórias dos vencidos ao apagamento da História. Reunidos pelo filme, os camponeses reencontram um passado de luta e de resistência, depois da repressão e da dispersão sofridas durante a ditadura militar.

Cabra Marcado Para Morrer (Eduardo Coutinho) (120 min)
Em 1962, o líder da liga camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem de latifundiários. Um filme sobre sua vida, reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato, começa a ser rodado em 1964, com direção de Eduardo Coutinho. As filmagens, com participação de camponeses do Engenho Galiléia (PE) e da víúva de João Pedro, Elizabeth Teixeira, são interrompidas pelo golpe militar de 31 de março de 1964. Dezessete anos depois, em 1981, Eduardo Coutinho retoma o projeto e procura os participantes do filme interrompido.

23.07, atrás da Reitoria

SESSÃO 3 – OCUPAÇÕES URBANAS [curtas]
De um prédio na região portuária do Rio de Janeiro ao cais José Estelita (Recife) e à ocupação Mauá, no centro de São Paulo; das ruas das cidades aos corredores assépticos de um shopping center, espaços são ocupados, reinventados, usufruidos, em atos de resistência, inscritos ou provocados pelo cinema, à partilha desigual e aos projetos excludentes das cidades.

Praça Walt Disney (Renata Pinheiro, Sérgio Oliveira) (20 min)
Abordagem singular da vida urbana contemporânea, o documentário descreve a um só tempo um bairro, uma cidade e um país. O lugar real: Boa Viagem, Recife, Pernambuco, Brasil.

À Margem dos Trilhos (Marcelo Pedroso, Pedro Severien) (5 min)
Uma reflexão sobre o tema da habitação social, a partir do trajeto feito pelo trem do forró que sai das proximidades das torres gêmeas, passa pelo cais José Estelita e cruza a ocupação da Vila Sul, em Recife (PE).

Ação e reação (Marcelo Pedroso, Pedro Severien) (3 min)
Ação: Ocupe Estelita apresenta… Reação: Governo do Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife, Consórcio Novo Recife apresentam…

Ocupar, Resistir, Avançar (Ernesto de Carvalho, Luís Henrique Leal, Marcelo Pedroso, Pedro Severien) (6 min)
Ocupação da Prefeitura do Recife. 30 de Junho e 01 de Julho de 2014.

Vida Estelita (Edinéa Alcântara, Ernesto de Carvalho, Marcelo Pedroso, Pedro Severien) (10 min)
Integrantes do Movimento Ocupe Estelita fazem uma reflexão política e pessoal sobre o processo de discussão da cidade. “Vida Estelita” constrói os principais eixos da transformação social que está em curso a partir do olhar desse grupo de ocupantes. O filme nasceu numa roda de conversa, e os relatos articulados nesta narrativa revelam um pedaço do imaginário coletivo. Os testemunhos contidos aqui se somam às inúmeras ações e reflexões de um grupo de pessoas que juntos fazem o Ocupe Estelita.

Mauá: Luz ao Redor (Juliana Vicente) (5 min)
No centro de São Paulo, a comunidade Mauá vive há mais de 5 anos, hoje sob ameaça de despejo. No entorno da Rua Mauá encontra-se a vida das 230 famílias que habitam a ocupação: escolas, locais de trabalho, hospitais. Seu deslocamento pode causar graves danos a uma população para a qual não é oferecido outro destino.

Entre (Vladimir Seixas) (10 min)
Os momentos da ocupação de um prédio no centro da cidade do Rio de Janeiro.

A Ditadura da Especulação (Zé de Abreu) (10 min)
No Distrito Federal, grandes empreendimentos passam o trator em culturas, vidas e saberes locais. Filme engajado na resistência indígena contra a destruição do Santuário dos Pajés, ameaçado pela construção do bairro Noroeste, empreendimento imobiliário de luxo.

Hiato (Vladimir Seixas) (19 min 30s)
Em agosto de 2000, um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. O episódio obteve grande repercussão na imprensa nacional. O filme recupera imagens de arquivo e apresenta entrevistas com manifestantes e pensadores, sete anos após o acontecimento.

Proibido Parar (Christian Caselli) (6 min 30s)
Estranho fato ocorrido em julho de 2010 no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, informa sobre o clima de “choque” que paira sobre a cidade.

SESSÃO COMENTADA por Tiago Castelo Branco Lourenço (arquiteto) e Érica Coelho (ativista).

24.07, em frente à Fafich

SESSÃO 4 – BRANCO SAI, PRETO FICA
Para recuperar a história real do baile black Quarentão, violentamente fechado pela polícia, na Ceilândia (DF), em 1986, o filme faz um surpreendente desvio pela ficção científica. Especulações distópicas sobre Brasília se misturam aos testemunhos de dois sobreviventes, os atores Marquim e Chokito. Se o Plano Piloto é o “lado de dentro” da História, Adirley Queirós opta novamente pelo fora: os atos, memórias e invenções do entorno periférico.

Branco Sai, Preto Fica (Adirley Queirós) (95 min)
Um Baile Black. Tiros e repressão. Uma geração amputada.

SESSÃO COMENTADA por Junia Torres (antopóloga), Luis Carlos Candido de Oliveira (Baile Black) e Misael Avelino (Rádio Favela).

25.07, Estação Ecológica

SESSÃO 5 – OCUPAÇÕES URBANAS 2
Jogar bola na rua, duelar rap sob um viaduto, produzir um cinema-camelô… Ocupações e invenções que desconcertam, que embaralham os lugares estabelecidos, que afirmam o que está à margem e redesenham a face do possível.

Cine Camelô (Clarissa Knoll) (15 min)
A história de um cineasta-ambulante que vende filmes de curta-metragem na Rua 25 de Março, maior centro de comércio popular de São Paulo, de acordo com a demanda dos clientes.

A Rua é Pública (Anderson Lima) (10 min)
Um grupo de amigos acorda com vontade de jogar uma pelada na rua. A busca por um espaço acaba percorrendo outro caminho: o da luta pelo território livre do brincar. Realizado na ocupação Eiana Silva, em Belo Horizonte.

Rap, O Canto da Ceilândia (Adirley Queirós) (15 min)
Diálogo com quatro consagrados artistas do Rap nacional (X, Jamaika, Marquim e Japão), todos moradores da Ceilândia, Distrito Federal. O filme relaciona suas trajetórias com a ocupação e construção da cidade onde moram. São artistas que vêem no Rap a única forma de expressar suas vivências e sentimentos, afirmando-se como moradores da periferia de Brasília.

Silêncio, viaduto em obras (Gabriel Zaidan, Maria Teresa Moreira) (18 min)
O documentário apresenta a luta dos movimentos que tinham como espaço o Viaduto Santa Tereza pelo direito à voz em uma obra imposta pela Prefeitura de Belo Horizonte.

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