A polifonia da natureza e os [des]caminhos da escuta

© Bruna Brandão 07.21-4374

Por Israel do Vale;
Foto: Bruna Brandão.

A voz da natureza ressoa alto nesta quarta-feira no 46º Festival de Inverno da UFMG. Ainda pela manhã, o Encontro Temático Biodiversidade em Trilhas traz à tona os saberes ancestrais das sociedades tradicionais de matriz indígena e afrodescendente.

A conversa está dividida em dois momentos. Começa com um bate-papo entre o permacultor Guilherme Nogara, a capitã da Guarda de Massambique de Oliveira Pedrina Santos, e o agricultor e mestre candombeiro Sílvio Siqueira, do Matição. O encontro será mediado por Rosângela Tugny, professora associada do Departamento de Teoria Geral da Música da UFMG, a partir das 10h, na Estação Ecológica.

Em seguida os participantes enveredam pelas trilhas da mata local para um trabalho de rastreamento de ervas e raízes medicinais, tendo como ponto de partida o fogão à lenha construído por um dos grupos de trabalho do festival no local.

Ao longo do dia, a Feira de Tudo (em frente ao prédio da Reitoria) abriga a venda de produtos orgânicos, artesanais e agroecológicos. O compartilhamento de comidas dá o tom na hora do almoço, em um piquenique aberto a quem quiser chegar. Às 14h, um grupo de agricultores urbanos se reúne em torno de uma roda de conversa sobre a lida cotidiana de produção de alimentos orgânicos dentro da cidade. As atividades se completam às 17h, com uma troca de sementes, estacas e mudas.

A programação cultural se desdobra com uma mostra de filmes ao ar livre dedicada às ocupações urbanas (18h, no gramado localizado atrás da Reitoria), o espetáculo teatral A Vida dos Homens Infames, dirigido por Cristiano Burlan (19h, no auditório da Reitoria) e o show Cinco Mestres do Samba, com Donelisa, Mandruvá, Mauro Saraiva, Plínio Saraiva e Mestre Conga (20h, no Gramado da Reitoria). A apresentação é “ensanduichada” pelo DJ Fael, num esquenta geral, antes e depois do show.

Abaixo, os dez curtas programados para o início da noite de hoje, no Cine Maloca.

Praça Walt Disney (Renata Pinheiro, Sérgio Oliveira, 20 min) Abordagem singular da vida urbana contemporânea, o documentário descreve a um só tempo um bairro, uma cidade e um país. O lugar real: Boa Viagem, Recife, Pernambuco, Brasil.

À Margem dos Trilhos (Marcelo Pedroso, Pedro Severien, 5 min) Uma reflexão sobre o tema da habitação social, a partir do trajeto feito pelo trem do forró que sai das proximidades das torres gêmeas, passa pelo cais José Estelita e cruza a ocupação da Vila Sul, em Recife (PE).

Ação e reação (Marcelo Pedroso, Pedro Severien, 3 min) Ação: Ocupe Estelita apresenta… Reação: Governo do Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife, Consórcio Novo Recife apresentam…

Ocupar, Resistir, Avançar (Ernesto de Carvalho, Luís Henrique Leal, Marcelo Pedroso, Pedro Severien, 6 min) Ocupação da Prefeitura do Recife. 30 de Junho e 01 de Julho de 2014.

Vida Estelita (Edinéa Alcântara, Ernesto de Carvalho, Marcelo Pedroso, Pedro Severien, 10 min) Integrantes do Movimento Ocupe Estelita fazem uma reflexão política e pessoal sobre o processo de discussão da cidade. “Vida Estelita” constrói os principais eixos da transformação social que está em curso a partir do olhar desse grupo de ocupantes. O filme nasceu numa roda de conversa, e os relatos articulados nesta narrativa revelam um pedaço do imaginário coletivo. Os testemunhos contidos aqui se somam às inúmeras ações e reflexões de um grupo de pessoas que juntos fazem o Ocupe Estelita.

Mauá: Luz ao Redor (Juliana Vicente, 5 min) No centro de São Paulo, a comunidade Mauá vive há mais de 5 anos, hoje sob ameaça de despejo. No entorno da Rua Mauá encontra-se a vida das 230 famílias que habitam a ocupação: escolas, locais de trabalho, hospitais. Seu deslocamento pode causar graves danos a uma população para a qual não é oferecido outro destino.

Entre (Vladimir Seixas, 10 min) Os momentos da ocupação de um prédio no centro da cidade do Rio de Janeiro.

A Ditadura da Especulação (Zé de Abreu, 10 min) No Distrito Federal, grandes empreendimentos passam o trator em culturas, vidas e saberes locais. Filme engajado na resistência indígena contra a destruição do Santuário dos Pajés, ameaçado pela construção do bairro Noroeste, empreendimento imobiliário de luxo.

Hiato (Vladimir Seixas, 19’30″) Em agosto de 2000, um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. O episódio obteve grande repercussão na imprensa nacional. O filme recupera imagens de arquivo e apresenta entrevistas com manifestantes e pensadores, sete anos após o acontecimento.

Proibido Parar (Christian Caselli, 6’30″) Estranho fato ocorrido em julho de 2010 no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, informa sobre o clima de “choque” que paira sobre a cidade.

SESSÃO COMENTADA por Tiago Castelo Branco Lourenço (arquiteto) e Érica Coelho (ativista).

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