Campus e Cidade: como a universidade poderia abrir seus portões?

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Por Sara Meynard;
Foto: Leandro Lopes.

Como a universidade poderia abrir seus portões e acolher, sob formas variadas, a vida ao seu entorno? As trocas entre a cidade e o campus: como habitá-lo para além do seu uso rotineiro, funcional e produtivista? Como fazer do campus, por exemplo, um parque público, aberto ao lazer e às manifestações culturais e artísticas que não se alinham à lógica do espetáculo?

Essas e outras questões fomentam o Encontro Temático “Campus e Cidade”, que acontece neste sábado, às 10h, no auditório da Reitoria (e não mais na geodésica no Bosque da Música). Para a conversa são convidados Adriana Cardoso, Benigna Maria de Oliveira, Claudia Mayorga Borges, Eliane Ferreira, Leda Martins, Luciléia Miranda, Ricard Grau, Sylvia Franceschini e Wellignton Cançado. A mediação fica a cargo de Augustin Tugny.

Adriana Cardoso é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG e é Doutora em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela mesma Universidade.

Benigna Maria de Oliveira, Reitora de Extensão da UFMG.

Claudia Mayorga Borges, vice-reitora de Extensão da UFMG.

Eliane Ferreira, da Pró Reitoria de Administração da UFMG.

Leda Martins, da Diretoria de Ação Cultural da UFMG.

Luciléia Miranda é estudante de graduação da UFMG e militante. Constrói a chapa Pés no Chão, atual gestão do DCE/UFMG.

Ricard Grau constrói o Coletivo Recooperar, de Barcelona. Uma associação sem fins lucrativos que trabalha em projetos sócio-culturais, tendo em conta o processo, reutilizando materiais e envolvendo as comunidades locais no desenvolvimento do projeto de forma colaborativa e participativa.

Sylvia Franceschini é Doutora em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (UFSP). Atualmente é Pró Reitora de Assuntos Comunitários da UFV.

Wellignton Cançado é Mestre em Arquitetura e Professor de Design e Arquitetura na UFMG. Na conversa, representará o Piseagrama, uma publicação sobre Espaços Públicos: existentes, urgentes, imaginários. A revista foi uma das quatro selecionadas pelo Edital Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura em 2010. Publicação do Instituto Cidades Criativas, Piseagrama é editada também por Fernanda Regaldo, Renata Marquez e Roberto Andrés.

Augustin Tugny é Arquiteto e Doutor em Artes pela UFMG. Atualmente é professor adjunto do Curso de Design de Moda da Escola de Belas Artes da UFMG e vice-diretor da mesma Escola.

Ocupar, partilhar, legitimar: a peleja da verba com o verbo

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Por Israel do Vale;
Foto: Bruna Brandão.

Morro e asfalto. Centro e periferia. Territórios de cidadania. O uso coletivo do espaço público ganha relevo na conversa desta manhã, no penúltimo Encontro Temático do 46º Festival de Inverno da UFMG. Rappers, grafiteiros, dançarinos, poetas, moradores de rua. Duelo de MCs, Praia da Estação, Fica Fícus, Carnaval de Rua, Espaço Comum Luiz Estrela, Tarifa Zero, Assembleia Popular Horizontal.

Belo Horizonte como um vulcão de desejos, em processo de erupção. Uma cidade que já não cabe em si pulsa numa batida diferente da lógica que os governos sabem manejar. E reivindica, nas ruas e gabinetes, a revisão (inversão?) de prioridades nas políticas públicas: uma cidade para as pessoas, não os carros; uma cidade mais afetiva, com decisões que privilegiem os interesses do cidadão, não das empresas.

O encontro está marcado para o Salão Ocre do Restaurante Setorial II, às 10h. Reúne ativistas da Assembleia Popular Horizontal (APH) e alguns dos nomes que estão na linha de frente dos debates e embates que tomaram as ruas da cidade nos últimos anos: Guto Borges, músico e historiador; Joviano Mayer, do Brigadas Populares; Ludmila Zago, psicanalista e professora da Faculdade de Direito da UFMG; Paula Kimo, do Espaço Comum Luiz Estrela, e Sebastião Everton, do Instituto Tucum e Fórum das Juventudes de BH e Região Metropolitana. A mediação cabe ao antropólogo Rafael Barros.

A movimentação começou cedo, emprestando uma nova cadência ao trânsito da cidade, com um Ônibus Grátis embalado por uma versão ambulante do Duelo de MCs.

No período da tarde, os grupos de trabalho seguem com o trabalho de formiguinha de cada dia. A noite começa sob as bênçãos do Descimento da Bandeira do Reinado, às 18h, na entrada da Reitoria. Em paralelo, o Cine Maloca migra da Estação Ecológica, onde previa suas exibições de hoje, para o Bosque da Música, ainda às 18h.

Pelada na rua, batalha de MCs, cinema-camelo. O foco desta noite se volta para “as ocupações e invenções que desconcertam, que embaralham os lugares estabelecidos, que afirmam o que está à margem e redesenham a face do possível”, nas palavras da curadoria Cláudia Mesquita. A programação reúne quatro curtas: “Cine Camelô” (Clarissa Knoll, 15 min), “A Rua é Pública” (Anderson Lima, 10 min), “Rap, O Canto da Ceilândia” (Adirley Queirós, 15 min), “Silêncio, Viaduto em Obras (Gabriel Zaidan e Maria Teresa Moreira, 18 min).

Na sequência, o Bosque da Música (e não mais a Estação Ecológica, como previsto anteriormente) acolhe a Roda de Improviso Mestres e MCs, com o coletivo Família de Rua, às 19h. Um esquenta luxuosíssimo para o encontro dos rappers indígenas do grupo Bro MCs com MC Dodô e DJ Abu. A voz das ruas e das matas reunida. Em defesa dos direitos civis e da utopia nossa de cada dia. Para saber mais desse encontro, acesse o evento no facebook: https://www.facebook.com/events/318163755027333 e convide todo mundo!

O território urbano em discussão

Antes, às 9h, o GT Comidarias em Comum convida a todos para participar de um café da manhã colaborativo

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Por Sara Meynard;
Foto: Leandro Lopes.

Pichação, grafite, duelo de MCs, saraus, Praia da Estação, carnaval de rua: as múltiplas formas de vida que Belo Horizonte abriga encontram hoje modos peculiares de expressão estética e política, traduzidos em movimentos concretos e simbólicos de ocupação dos territórios urbanos.

Com esses movimentos, as várias formas de expressão periférica começam a ultrapassar os limites que separam morro e asfalto, rompendo demarcações e ressignificando espaços. Como tais iniciativas enfrentam as práticas segregacionistas geradas pelo poder e redistribuem, nos espaços da cidade, os lugares e falas reservados ao centro e à periferia?

Esses e outros questionamentos fomentam o Encontro Temático “Culturas Urbanas”, que acontece nesta sexta-feira, às 10h. Para compor a mesa, são convidados a Assembleia Popular Horizontal (APH), Guto Borges, músico e historiador, Joviano Mayer, militante do Brigadas Populares, Ludmila Zago, psicanalista e professora da Faculdade de Direito da UFMG, Paula Kimo, produtora do 46º Festival de Inverno e representante do Espaço Comum Luiz Estrela, e Sebastião Everton, do Instituto Tucum e Fórum das Juventudes de BH e Região Metropolitana. A medicação da conversa fica a cargo do antropólogo Rafael Barros.

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Antes, a partir das 9h, o GT Comidarias em Comum convida a todos para participar de um café da manhã colaborativo. Traga seus ingredientes e ocupe a cozinha do Restaurante Setorial II, no Salão Ocre. Lá você pode trocar receitas e colaborar na feitura de bolos, sucos, tapiocas, cuscuz, pães.

Depois do Café da Manhã, a conversa começa no mesmo local. Tanto o papo, quanto a cozinha é aberta a todos. Participe! Se quiser, confirme a sua presença no evento do facebook: https://www.facebook.com/events/1489173884658127/ e convide os interessados pelo tema.

Espetáculo “Corporeidades Negras” será apresentado hoje no Festival de Inverno da UFMG

Apresentação, que acontece às 20h, no auditório da Reitoria, faz parte das Ocupações Artísticas da Escola de Belas Artes

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Por Leandro Lopes
Foto: Divulgação

Além dos grupos de trabalho, dos encontros temáticos, das rodas de conversas, das apresentações musicais, é possível encontrar pelo campus Pampulha uma série de ocupações artísticas proposta por estudantes da Escola de Belas Artes da UFMG, como a plantação de álgodão doce, as entidades flutuantes, os coelhos brancos e as performances. As intervenções estão acontecendo em lugares como os gramados, prédios, matas e auditórios. Todas participaram de um processo de seleção aberto dias antes do início do Festival pela EBA.

Uma dessas ocupações é a Corporeidades Negras que acontece hoje, às 20h, no auditório da Reitoria da UFMG. A apresentação é um fragmento do espetáculo Mulheres de Baobá, da Cia Baobá Minas, com direção de Júnia Bertolino. “É um trabalho composto de declamações performáticas de poemas brasileiros, inspirados em poetisas, escritoras e performers que retratam a narrativa africana/afro brasileira”, explica Júnia. Na lista estão nomes como Conceição Evaristo, Leda Martins, Elisa Lucinda e Jussara Santos.

Os textos são declamados ao embalo de cantigas populares afro-brasileiras que retratam temas da religiosidade e da arte, sempre a partir de um universo feminino, por meio de palavras, gestos, figurinos e cantos. “Expressar a narrativa do feminino é valorizar a arte negra e reconhecer o forte papel da mulher na vida, na beleza e na geração de um mundo melhor”, diz Júnia.

A apresentação é gratuita e aberta ao público. Para conhecer mais da Cia Baobá, acesse: http://www.ciabaoba.com.br

Manifesto das Lideranças indígenas

DOCUMENTO FINAL DA GRANDE ASSEMBLEIA (ATY GUASU) DAS LIDERANÇAS INDÍGENAS NO BRASIL, realizada em Belo Horizonte, Minas Gerais

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Aos 21 a 23 de julho de 2014, no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais, no âmbito do 46º Festival de Inverno da UFMG, foi realizada a Grande Assembleia Aty Guasu, com a presença das lideranças, acadêmicos e professores indígenas dos seguintes povos: Terena (Mato Grosso do Sul), Tupinambá (Bahia), Guarani (Mato Grosso do Sul), Kaiowá (Mato Grosso do Sul), Mbya (São Paulo), Kaingang (Rio Grande do Sul), Pataxó (Minas Gerais), Maxakali (Minas Gerais), Guajajara (Maranhão). Nesta Assembleia, relatamos nossa situação atual vivida nas terras tradicionais em litígio histórico em cinco regiões do Brasil.

Quando os europeus entraram aqui, nos mataram com doenças, nos mataram com bala. Hoje continuam nos matando com isso tudo e também com a Justiça que decretam os despejos, aquilo que chamam de reintegração de posse, que na verdade são apenas áreas recuperadas que pertenciam a nossos pais e avós. Eles, não-indígenas, são os verdadeiros invasores. São 514 anos de invasão. Nós somos povos resistentes. A ciência, a história dos brancos, por exemplo, ainda dizem que os Tupinambá da Costa brasileira foram extintos, acabaram, mas, não, eles estão aqui, hoje. Os não-indígenas se esquecem que, quando queimaram o tronco, ainda havia as raízes e elas estão brotando. São nossas retomadas. Não vamos desistir. Vamos lutar. Não temos arma, só temos maracá e reza, no caso dos Guarani, temos Ñanderu, e, além disso, estamos estudando, formando nossos jovens na graduação e na pós graduação . Vamos lutar, não vamos desistir, nunca!

Sempre estamos ouvindo que não vamos conseguir, que não vamos resistir. Que existe a PEC 215 e outras leis que vão ser aprovadas contra nós, que existe decisão do STF contra nossas ocupações, que existe a mídia, a bala e a segurança dos fazendeiros contra nós. Mas queremos aqui dizer, nossa luta vai continuar, não vamos sair do lugar onde nossos pais e avós nasceram e viveram, só vamos sair daqui mortos, nossa decisão é ficar na nossa terra. Não tem outra Lei, não tem arma, não tem nada que vai fazer estes povos desistirem, não vamos recuar, ninguém vai sair da nossa terra, vivo ninguém vai sair. Os juízes, os advogados dos fazendeiros, o governo brasileiro deveriam levar isso em conta. Essa já é a vida dos jovens indígenas, eles já nasceram nessa luta. Isso já virou um ritual, não vão descansar, já enfrentaram bala, já enfrentaram vários despejos, vão continuar enfrentando tudo isso.

O que estamos querendo não é toda terra do Brasil, não. É um pequeno pedaço de terra aqui, outro acolá. Estamos pedindo por uma vida digna, viver na nossa terra em harmonia com a mãe natureza, preservar nossas tradições e que estas sejam respeitadas. Queremos que nossas crianças possam correr livres na comunidade e se banhar nos rios sem risco de contaminação, resguardando, assim, um futuro para aqueles que resistem. Líderes de diversas comunidades estão sendo ameaçados, perseguidos e aprisionados injustamente, de forma a desmobilizar a nossa luta. Chega de morte! Já não temos mais lágrimas para chorar tanta violência e abandono que estamos sofrendo.

Num documento recente produzido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), sobre conflitos no campo no Brasil em 2013, confirmam as narrativas de nossa Assembleia: contou-se 829 vítimas de violência neste ano: assassinatos, ameaças de morte, prisões, intimidações, tentativas de assassinato e outras, 238 destas vítimas são indígenas. Das 34 mortes por assassinato, 15 são de indígenas. São também indígenas 10 das 15 vítimas de tentativas de assassinato, e 33 das 241 pessoas ameaçadas de morte. Não se tem registro de situação semelhante em outro momento dos 29 anos que a CPT publica o relatório Conflitos no Campo Brasil.

Durante a grande Assembleia Aty Guasu do Festival de Inverno da UFMG, relatamos várias ofensivas históricas e atuais contra os direitos constitucionais dos povos indígenas, violações de direitos Indígenas e Humanos, no contexto atual em que há paralisação da demarcação das terras indígenas no âmbito da esfera federal e em que há criminalização, prisões ilegais das lideranças indígenas. Identificamos que há política de amplificação de ódio, violência, racismo e a discriminação institucional permanente contra os povos indígenas, conduzidas por grandes fazendeiros ruralistas anti-indígenas, permitida e promovida pelos poderes judiciários, legislativos e executivos do Brasil da República, isto é pelo Estado brasileiro. Por exemplo, nas terras em litígio, nós povos indígenas sofremos o cerco e ameaça de jagunços armados e de forças policiais; no caso de povo Tupinambá é cercado e ameaçado permanentemente pelos jagunços, pelas polícias federais, Força Nacional e Exército brasileiro.

Ao mesmo tempo em que está em vigor a criminalização dos movimentos indígenas e prisões ilegais das lideranças indígenas (a exemplo dos caciques Tupinambá Babau, Gildo e Valdelice, além de vários outros), constatamos que os mandantes e os assassinos recentes de lideranças indígenas não são investigados seriamente, nem julgados e condenados pela justiça brasileira, a exemplo do assassinato de Oziel Gabriel Terena e Nízio Gomes Guarani-Kaiowá.

Em geral, não há assistência justa à saúde indígena, e nem existe implementação da educação escolar indígena nas terras em litígio, onde os povos são forçados a consumir a água poluída, os indígenas não recebem assistência social (como exemplo, citamos que só no ano de 2014 já morreram por falta de assistência à saúde e água potável cerca de 25 crianças Maxakali). Assim, de forma similar, os povos indígenas das terras em litígio são abandonados pelo órgão indigenista, pelos municípios e Estado.

A maioria das universidades públicas do Brasil se fecha e ignora a história real, culturas, línguas e os saberes dos povos indígenas, reproduzindo os conhecimentos distorcidos, ultrapassados e senso comum sobre os povos indígenas. Assim, as universidades têm dificuldade em promover diálogos simétricos e promover processos interculturais entre os indígenas e não indígenas acadêmicos.

Avaliamos ainda que na Câmara e no Congresso Nacional tramitam diversos PECs (PEC 215, entre outros) para alterar os nossos Direitos Constitucionais de 1988, ignorando a Convenção 169 da OIT.

Nos vídeos produzidos pelos indígenas, exibidos durante esta Aty Guasu, assistimos a um genocídio no século XXI, fomentado pela própria justiça do Brasil. Constatamos que a decisão da justiça federal estimula e permite a violência hedionda, as ameaças de morte das lideranças, os assassinatos de intelectuais, rezadores e, sobretudo, alimenta o genocídio contemporâneo.

Enfim, aqui em Belo Horizonte, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, após três dias de análise das políticas e ações nocivas do Estado brasileiro, concluímos que, em todas as terras indígenas, sobretudo aquelas em litígio, de formas idênticas fomos submetidos ao processo de etnocídio e genocídio no Brasil promovido tanto pelos políticos anti-indígenas quanto pelo Estado brasileiro.

Diante desta realidade relatada e evidenciada, nós, lideranças indígenas reunidas na Grande Assembleia Aty Guasu, repudiamos as violências promovidas contra os povos indígenas mencionados, ao mesmo tempo manifestamos nossa solidariedade às legítimas reivindicações dos povos indígenas das terras em litígio, já expressas pelo movimento regional e nacional dos povos indígena. Além disso, através deste documento, reivindicamos:

– a IMEDIATA regularização de todas as terras indígenas em litígio pelo governo do Brasil;
– o IMEDIATO julgamento do processo das terras indígenas em litígio pela justiça;
– a GARANTIA da presença permanente dos agentes do órgão indigenista (FUNAI) em terras em litígio para prestar a segurança e assistência aos povos indígenas ameaçados;
– a promoção de formas representativas de participação por indígenas nas esferas judicial, executiva e legislativa e nos órgãos públicos municipais, estaduais e federais;
– a INVESTIGAÇÃO e PUNIÇÃO dos autores dos homicídios de indígenas;
– o IMEDIATO arquivamento da PEC 215, PL 227, PEC 038, e PL 1610, bem como a manutenção na íntegra dos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988;
– a GARANTIA do direito diferenciado à saúde e educação em todas as terras em litígio;
– a IMEDIATA criação e implementação dos projetos e programas de diálogos interculturais indígenas permanentes nas universidades públicas nos diversos cursos de graduação e pós-graduação, com participação indígena, para reconhecimento e valorização dos mestres tradicionais e intelectuais indígenas de diversos povos;
– Que onde houver concursos públicos nas universidades para docentes vinculados à temática indígena, como por exemplo nos cursos do FIEIs, fosse garantida vagas específicas para indígenas ou que fossem ouvidas as lideranças para participar da elaboração de editais ou mesmo participar da Comissão de Seleção;
– a IMEDIATA implementação total da Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário;

Belo Horizonte-MG, 23 de julho de 2014.

Atenciosamente,

Terena (Mato Grosso do Sul) – Alberto Terena e Ana Sueli Terena
Tupinambá (Bahia) – Cacique Maria Valdelice e Cacique Gildo
Kaiowá (Mato Grosso do Sul) – Genito Gomes, Agda Rocha, Lide Solano, Inaye Lopes, Daniel Lemes;
Kakchiquel (Guatemala) – Edgar Calel
Mbya (São Paulo) – Ataíde Gonçalves
Kaingang (Rio Grande do Sul)- Cleverson Kaigang
Maxakali (Minas Gerais) – Isael Maxacali, Sueli Maxacali e Cacique Noêmia Maxacali
Guajajara (Maranhão) – Edinária Guajajara

© Bruna Brandão 07.21-4325

O ato, o boato, o relato e o fato: a guerra de memes

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Por Israel do Vale;
Foto: Leandro Lopes.

A Geodésica do 46º Festival de Inverno se torna hoje um pára-raios da disputa de narrativas que tomou a sociedade na nova ordem digital, com a realização do debate Mídias Públicas e Livres no Bosque da Música —a 100 metros da Reitoria.

O encontro congrega diferentes experiências de midiativismo e uso das redes pelos movimentos sociais na defesa de outros olhares, em contraponto ao discurso hegemônico das grandes corporações da mídia.

Maria Rita Casagrande é analista de sistemas, web designer e blogueira atuante, em torno de ações voltadas para os direitos humanos como o True Love (truelove.com.br/), blog sobre cultura lésbica e bissexual, e o Blogueiras Negras (blogueirasnegras.org/). Júlia Moyses é jornalista e gestora cultural, editora da Revista Marimbondo (www.revistamarimbondo.com.br), de arte e cultura.

Michel Brasil é membro da Associação Imagem Comunitária (www.aic.org.br), ONG dedicada à promoção da cidadania por meio da criação de canais de acesso público à mídia. Tonico Benites é doutor em Antropologia pela UFRJ, liderança Guarani Kaiowá e membro do Conselho Aty Guasu, a Grande Assembleia dos Povos Indígenas no Brasil. Já Glauberth Reis é militante no movimento estudantil, membro da Associação dos Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte, a AMES/BH.

A mediação é deste escriba, ativista da democratização das comunicações, ex-diretor de programação e produção da Rede Minas e ex-gerente-executivo de conteúdo da TV Brasil, as redes públicas de televisão do estado de Minas Gerais e do Governo Federal.

A programação do dia se completa com a estreia mineira do filme “Branco Sai, Preto Fica” (95 min), do realizador brasiliense Adirley Queiróz, às 18h em frente ao prédio da Fafich. O filme recupera a história real do baile black Quarentão, na Ceilândia, uma das cidades-satélite de Brasília, violentamente fechado pela polícia em 1986, com uma leitura livre que dialoga com a ficção científica. A sessão será seguida dos comentários da antropóloga Junia Torres, do dançarino Luis Carlos Candido de Oliveira (Baile Black) e de Misael Avelino, da Rádio Favela.

E pra fechar a noite, a partir das 20h, a guitarrada libidinosa do paraense Felipe Cordeiro inunda o palco do Gramado da Reitoria com o show “Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor” —antecedido de discotecagem do DJ Luiz Valente.

Quem vamos?

Por que as mídias não são públicas e/ou livres?

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Por Sara Meynard;
Foto: AIC

Os coletivos midiativistas, com seus métodos colaborativos e com a disseminação dos seus registros e intervenções nas redes sociais, conseguiram abrir brechas no discurso hegemônico dos grandes conglomerados de comunicação. Quais os significados e as iniciativas estão em jogo nas reivindicações em torno das mídias públicas e livres?

É esse o assunto do próximo Encontro Temático, que acontece nesta quinta-feira, a partir das 10h, na geodésica construída no Bosque da Música. Sob o tema “Mídias públicas e livres”, o 46º Festival de Inverno da UFMG convida a um encontro muito diverso: Glauberth Reis, Júlia Moyses, Maria Rita Casagrande, Michel Brasil, Israel do Vale e Tonico Benites são os convidados para falar sobre novas maneiras de construir uma comunicação mais horizontal.

Glauberth Reis é estudante e atua como militante no movimento estudantil. É membro da Associação dos Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte (AMES/BH).

Júlia Moyses é jornalista e gestora cultural. Atualmente é editora da Revista Marimbondo, sobre arte e cultura. Lançada em 2012, a revista também rendeu a criação do blog Mais Marimbondo (http://www.revistamarimbondo.com.br).

Maria Rita Casagrande é analista de Sistemas, web designer e blogueira. Criou o True Love (http://truelove.com.br/), blog sobre cultura lésbica e bissexual. Coordena, produz e escreve o Blogueiras Negras (http://blogueirasnegras.org). No Festival de Inverno, coordena o GT Ocupa Boletim.

Michel Brasil atua na Diretoria de Projetos Sociais da Associação Imagem Comunitária (AIC), uma ONG sediada em Belo Horizonte que tem como objetivo promover a cidadania por meio da democratização da comunicação e da criação de canais de acesso público à mídia.

Tonico Benites é Liderança Guarani Kaiowa e Membro do Conselho Aty Guasu. É Doutor em Antropologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e especialista em educação indígena. No Festival de Inverno, preside a Grande Assembleia dos Povos Indígenas no Brasil.

Israel do Vale é jornalista que atua há quase trinta anos na área da cultural. Atualmente, coordena a comunicação do Programa Música Minas, desenvolve o aplicativo Folia Digital e dirige a nova temporada do programa de artes cênicas “Quiproquó”. Nesta edição do Festival de Inverno, é o Coordenador de Comunicação.

Se quiser, confirme a sua participação na página do evento dos Encontros Temáticos: https://www.facebook.com/events/298597286984944/

Sempre às 10h, os Encontro Temáticos discutirão temas diversos durante toda a semana. Veja a programação completa aqui: https://46festivalufmg.wordpress.com/2014/07/20/encontros-tematicos-programacao/. Participe!